|
Após a Guerra dos Emboabas, os
paulistas, impossibilitados de explorar o ouro de Minas Gerais, passaram a
buscar novas zonas de mineração, descobrindo-as nos atuais estados de Mato
Grosso e Goiás.
Em 1719, a bandeira de Pascoal
Moreira Cabral, subindo o rio Cuiabá à caça de índios, encontrou ouro nas
margens do rio Coxipó-Mirim e, em1725, a bandeira de Bartolomeu Bueno da Silva
descobriu ouro em Goiás.
A descoberta de ouro na região
marcou o início das monções, expedições fluviais regulares que faziam a
comunicação entre São Paulo e Cuiabá.
A palavra "Monção"
era usada pelos portugueses para denominar os ventos periódicos que ocorriam na
costa da Ásia Meridional. Esses ventos, que durante seis meses sopram do
continente para o Oceano Índico e nos seis meses seguintes em sentido
contrário, determinavam a saída das expedições marítimas de Lisboa para o
Oriente.
Na Colônia, as expedições que
utilizavam as vias fluviais foram chamadas de monções, não por causa dos
ventos, mas por se submeterem ao regime dos rios, partindo sempre na época das
cheias (março e abril), quando os rios eram facilmente navegáveis, tornando a
viagem menos difícil e arriscada.
As monções partiam das atuais
cidades de Porto Feliz e Itu, navegando pelo rio Tietê, levando em média cinco
meses até alcançar as minas de Cuiabá.
No início as monções
transportavam paulistas para as minas cuiabanas, mas logo tornaram-se
expedições de abastecimento, isto é, bandeiras de comércio, levando
mercadorias para as zonas mineradoras. A população das minas necessitava
adquirir tudo que precisava, pois só estava interessada em achar ouro e
enriquecer rapidamente.
A viagem era difícil devido às
inúmeras corredeiras, febres, insetos venenosos, piranhas e, principalmente,
ataques de índios. As canoas eram construídas à maneira indígena, cavadas em
um só tronco e muito rasas.
As maiores chegavam a transportar
até 300 arrobas de carga, e com o tempo receberam toldos para evitar que as
provisões se estragassem. A tripulação era formada pelo piloto, pelo proeiro
e por cinco ou seis remadores que remavam em pé como os índios. A carga ficava
no centro da canoa, os tripulantes na proa e os passageiros na pôpa. Navegavam
entre 8 horas da manhã e 5 da tarde, quando embicavam as canoas nos barrancos
dos rios, armando acampamentos.
Nas provisões, carregavam os
alimentos essenciais, como feijão, farinha de mandioca ou de milho,
a tradicional Cachaça Artesanal transportada em barris de madeira,
e também recorriam à pesca, aos palmitos, frutos e caça.
Com o tempo, por medida de
segurança, as viagens passaram a ser feitas em grandes comboios. O número de
canoas e pessoas num comboio variava , mas sabe-se que um dos maiores, o do
governador de São Paulo, D. Rodrigo César de Menezes, partiu de Porto Feliz
com mais de 300 canoas e cerca de 3.000 pessoas.
No retorno, um tiro de arcabuz
(Antiga arma de fogo), marcava a volta de cada "Monção",
acordando o povoado e seus moradores. Era a hora de rever os
parentes que retornavam e de receber notícias daqueles que ainda
estavam nas minas de Cuiabá.
Começava então, a
descarga dos Batelões no Porto. Logo Araritaguaba, antes quieta e
pobre, tornava-se movimentada e rica, com o ouro minerado que corre
como dinheiro.
Apesar do caráter
eminentemente exploratório das "Monções", um importante
papel lhes foi reservado na história: o de desbravar e alargar as
fronteiras brasileiras, provocando a integração entre várias regiões.
|